Ernesto Neto expande a prática da escultura utilizando-se, na maior parte das vezes, de tecidos com elasticidade, temperos e isopor como principais materiais, e a força da gravidade como elemento determinante. A interação física é outro aspecto fundamental de seu trabalho.

O espectador é convidado a participar ativamente, tocando, cheirando ou adentrando o espaço da escultura. As formas orgânicas relacionam-se com a observação do corpo como representação da paisagem interna do organismo, ou numa analogia entre o corpo e a arquitetura.

Sua produção situa-se entre a escultura e a instalação. No início da carreira, sua trajetória é marcada pelas obras dos artistas José Resende (1945) e Tunga (1952), na exploração da articulação formal e simbólica entre matérias diversas. Mais tarde, passa a utilizar predominantemente meias de poliamida e outros materiais mais flexíveis e cotidianos. Na segunda metade dos anos 1990,

Leviatã Thot, inspirada no monstro bíblico do livro de Jó, figura utilizada pelo filósofo inglês Hobbes em sua teoria sobre a função do Estado moderno, é uma escultura antropomórfica feita com sacos transparentes de tule e lycra, que compõem uma espécie de pele, equilibrados por bolinhas de poliestireno e areia.

Ernesto Neto realiza esculturas nas quais emprega tubos de malha fina e translúcida, preenchidos com especiarias de variadas cores e aromas, como açafrão ou cravo da índia em pó. As esculturas apresentam alusões ao corpo humano no tecido que se assemelha à epiderme e nas formas sinuosas que se estabelecem no espaço.

Esqueleto Glóbulos, 2001

No final da década de 1990, Ernesto Neto passa a elaborar as “naves”, estruturas de tecido transparente e flexível, que podem ser penetradas pelo público.

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